Análise do Comportamento no Futebol: Jogar em Casa como Contingência.

Não sou o maior fanático por futebol tampouco torcedor de 4 em 4 anos. Sou fã de Análise do Comportamento, sou fã de dados, números, de entender o que rege os conhecimentos populares e de compreender como funcionam as coisas.

Primeiramente, o fato de jogar em casa é realmente melhor?

É o que todos falam. Neste caso, a fim de eliminarmos algumas variáveis que possam comprometer a resposta dessa pergunta, não estamos levando em consideração se o gol fora de casa vale mais como critério de desempate.

Fiz uma pequena pesquisa pela internet, visitei alguns fóruns de torcedores e sites de equipes, e nas perguntas sobre a preferência do torcedor, era quase que unânime: eles preferem ser mandantes à visitantes.

Recorri às estatísticas do brasileirão do ano passado.

Fonte: UOL Esporte

Para afirmar o que faz com que as vitórias em casa sejam mais frequentes, teria que haver muitas pesquisas, mas proponho algumas hipóteses!

O tamanho do campo não é precisamente igual em todos os lugares, mas existe certo padrão; o clima não deve ser uma grande variável que determine a preferência dos jogadores, já que o tempo pode ser muito instável, não havendo uma precisão da variável “clima”, o que nos leva a uma outra possibilidade de “o porquê jogar em casa é melhor”: a torcida.

Nos fóruns que pesquisei, o argumento mais presente para sustentar a tese de que jogar em casa é melhor, é por causa do apoio da torcida. Não acredito que, a princípio, ter muita expectativa sobre si, muito torcedor gritando no ouvido seja reforçador para fazer um bom jogo, mas o mito já está posto: “em casa eu jogo melhor”.

Se de fato jogar em casa não seja naturalmente um reforço para jogar bem, existe a “desculpa” do apoio da torcida. Por favor, não estou dizendo que a torcida não influencia em nada, estou apenas colocando em dúvida até que ponto ela é determinante no comportamento do jogador em campo. Nesse caso, então, dizer que a torcida ajuda, pode caracterizar-se como um placebo para gerar respostas de autoconfiança, maior concentração e mais tranquilidade no jogo, já que “eu não preciso ficar tão nervoso, já que estou jogando em casa”.

Procurando um pouco mais, encontrei uma notícia do ano passado, que falava algo sobre a má campanha do Chelsea atuando como mandante. Pode ser uma prova de que a torcida não afeta apenas como placebo, que ela realmente pode ter influência determinante no comportamento do jogador. De acordo com a notícia, o técnico Villas-Boas, eles precisavam “conquistar o apoio dos torcedores. Pode se sentir que o Stamford Bridge tornou-se um lugar ansioso. Agora precisamos do suporte, desta atmosfera para passar deste período”

Repare como o treinador cogita uma possibilidade de melhora do time (reforço negativo, fuga de uma situação aversiva – ansiedade):

Já que aceitamos o fato de que a torcida pode ser determinante no comportamento do jogador. Mas e quando o jogo for fora de casa? E quando não houver torcida?

Talvez um exercício que deva sair de campo se estendendo à vida cotidiana seja: procurar novos reforçadores. A torcida é reforçadora… mas e quando não houver torcida? E quando a torcida não estiver contente? Jogadores não podem se dar ao luxo de esperarem uma boa reação da torcida para que possam jogar bem.

E quanto a nós? Estamos sob controle das melhores contingências?

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Um comentário em “Análise do Comportamento no Futebol: Jogar em Casa como Contingência.

  1. […] E revendo os posts, eu juro que fiz cara de surpreso ao ver que eu já fiz um post sobre futebol! [ver post] […]

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