Um Pouco Sobre Autocontrole

Quanto mais eu leio sobre Análise do Comportamento, mais eu lamento as ideologias mentalistas.

Eu vivi um exemplo bem prático e simples de autocontrole, mas antes de falar sobre o exemplo, vou explicar o porquê eu fico triste com o mentalismo, e por que especificamente agora que resolvi falar sobre autocontrole.

A Psicologia tem sofrido muito para desvincular-se do senso comum e com isso, os analistas do comportamento devem sofrer mais do que ninguém. O próprio Skinner, em seu livro Sobre o Behaviorismo, cita algumas críticas que até hoje, depois de quase 40 anos, estão muito vivas na mente das pessoas. (riam da minha piada).

Dentre as críticas ao Behaviorismo que Skinner (1974) cita em seu livro, gostaria de elencar algumas:

1. O Behaviorismo ignora a consciência, os sentimentos e os estados mentais.
5. Não considera as intenções ou propósitos.
14. Suas realizações tecnológicas poderiam ter sido obtidas pelo uso do senso comum.

Destaquei a crítica 1 porque o autocontrole é comumente relacionado à uma força interior, algo dentro de você que te segura, que te impede de agir impulsivamente. A crítica 5 também diz algo a respeito da interioridade do autocontrole, principalmente quando é chamado de “força de vontade”.

A crítica 14 eu separei porque é uma das mais infundadas, e ela é ótima para ser contra-argumentada em qualquer situação. No meu exemplo, vou falar um pouquinho sobre a diferença de um autocontrole vindo da “força de vontade da alma” e um autocontrole que se baseia em mudança das contingências que controlam nosso comportamento.

A universidade em que estudo (UFMT) está em greve há um mês, e eu estava decidido a estudar o dia todo, praticamente. Reparem que eu estava  decidido a estudar. Na prática mentalista, eu estaria no caminho certo para ter um período de estudos muito proveitoso. Acabou que assistir à Sons of Anarchy e Game of Thrones e até mesmo ficar no facebook foram mais reforçadores do que os estudos da faculdade.

Voltarem as aulas e eu não ter estudado nada, não ter adiantado meus trabalhos e até mesmo ter alguma pendência, seria muito aversivo para mim, então com os assuntos do possível acordo do governo com os professores, comecei a sentir-me ansioso. A ansiedade se apresentou como um estímulo pré-aversivo. Então para mudar isso, resolvi mexer nas contingências que estavam controlando meu comportamento.

Como o mentalismo não funcionou, passei a observar o que estava me impedindo de estudar e selecionei o que eu conseguiria abrir mão facilmente e faria eu ter mais tempo. Comecei pelo Facebook e já houve resultado! Saí de todos os grupos de discussão de seriados e de mais alguns outros. Deixei de curtir todas as páginas de humor e marquei para aparecerem apenas as atualizações mais importantes dos meus amigos. De algumas pessoas, até mesmo cancelei a assinatura. Tecnicamente, tudo o que eu fiz foi retirar alguns reforçadores que me faziam atualizar o facebook com frequência.

Prestei atenção no efeito disso e deu resultado. Os intervalos com que tenho checado o facebook são notavelmente maiores, o que me faz ter mais concentração em qualquer conteúdo que eu estiver lendo na internet.

Isso tem até me feito me dedicar mais aos textos no blog.

Isso é autocontrole. Mudanças conscientes (no sentido de você poder refletir e falar sobre) no ambiente, que trouxeram mudanças de comportamento para mim. Em momento algum eu fiquei recitando algum mantra esperando que algo dentro de mim mudasse e eu magicamente decidisse preferir estudar à fazer outras coisas.

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Um comentário em “Um Pouco Sobre Autocontrole

  1. […] Assim como o post sobre futebol, este aqui tem uma carga de behaviorismo e é um dos meus posts preferidos do blog! Um pouco sobre autocontrole ~> [ver post] […]

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