Limbo: por que tão perfeito?

São quatro da manhã e acabei de terminar o jogo. Simplesmente fantástico! Eu tenho experiência com reviewer chato e polêmico, mas eu me recuso  a mexer os dedos para polemizar inadvertidamente uma obra que me divertiu muito bem durante algumas poucas horas.

Okay, talvez eu esteja em um estado de agitação incomum, mas garanto que o estímulo que tem maior responsabilidade por essa agitação é o jogo. Vou me ater à descrição, uma breve apresentação do game.

O jogo está disponível para PS3, Xbox360 e PC. Por falta de plataformas, eu baixei pro computador mesmo.

A história do jogo é propositalmente precária e aberta. Sabe-se apenas que o protagonista sem nome encontra-se no limbo à procura de sua irmã, também sem nome, desaparecida. Particularmente, é um cenário que me causa certa tristeza, ainda mais por se tratar de criança(s). Não bastasse o personagem principal já estar morto, a falta de música durante o jogo, e o fato de os enigmas serem majoritariamente objetos, seres inanimados, o cenário passa a ideia de solidão.

A trilha sonora se resume em sons baixos (portanto tenha boas saídas de som), sons de criaturas, de pessoas e de máquinas e dispositivos trabalhando. Não se preocupe quanto a qualidade do seu monitor, a (não) coloração do jogo é minimalista. Desenvolvido apenas em tons de preto, branco e cinza, Limbo apresenta um caráter depressivo impressionante!

Um ponto baixo do jogo, e talvez o mais grave, é sua duração. Uma vez descoberto os enigmas, em alguns minutos é possível completar o jogo mais uma vez. Por ser um jogo de puzzles, é possível que o mais reforçador no jogo seja descobrir os enigmas de cada lugar e conseguir prosseguir, o que diminuiria a probabilidade de o jogador tentar completar o jogo outras vezes no futuro.

Talvez não tivesse nenhum programador behaviorista radical dentre a equipe, mas o jogo esforça-se para reforçar a criatividade do jogador, e isso eu achei incrível! Okay, mas como reforçar a criatividade? Diz-se que um comportamento é criativo quando ele ainda não se fazia presente no repertório comportamental de uma pessoa. Isso não quer dizer que o comportamento surja do nada, na realidade ele se faz na junção e modificação de outros comportamentos já presentes na história do indivíduo. Talvez o fato de o jogo ser curto tenha sido determinante na grandeza e na originalidade dos enigmas! A cada check point, o jogador era obrigado a pensar “out of the box”, pensar de uma maneira distinta à que ele havia pensado no enigma anterior. Essa é uma maneira de reforçar comportamentos criativos. Os puzzles variam entre colocar a caixa no lugar certo até prever e calcular internamente o tempo de funcionamento de um dispositivo gravitacional para evitar ser morto ao cair ladeira abaixo ou mesmo morto por serras elétricas redondas gigantes.

Nunca me achei muito capaz de jogar jogos de quebra-cabeça dessa maneira, mas como eu me apaixonei só de ler sobre Limbo, este eu completei sem ajuda alguma de detonado, youtube ou alguma outra dica. Fiz questão de fazer com que eu terminasse por conta própria e “visse que tudo isso era bom”.

O jogo pode tornar-se angustiante conforme se vai jogando. Isso se dá pelas sucessivas mortes. Este é um jogo que você só aprende errando. Como eu já falei sobre criatividade, o jogo não dá dicas nada claras sobre como você deve se comportar no decorrer dele. Os puzzles são quase que completamente inovadores e por vezes muito desafiadores! Se os desenvolvedores cuidaram de ser inovadores com o jogo, foi nas várias formas trágicas de se morrer.

Segue abaixo um vídeo contendo várias (não todas) maneiras de se morrer em Limbo. Cuidado com spoilers. Se você tem uma boa memória, não assista, pois ao jogar, os enigmas podem ficar mais simplórios.

No decorrer do jogo você, de uma forma bem sintética, passa pela floresta e por uma cidade aos pedaços. Cada lugar me causou uma sensação diferente. Na floresta, eu senti mais medo do que poderia estar a frente, já na cidade, eu senti mais ansiedade por conta dos enigmas envolvendo maquinários e, por vezes, com um período de tempo bem limitado.

Enfim, vale a pena. São apenas 70mb e você tem chances de ter que enfrentar situações envolvendo aranhas, garotos macabros que por algum motivos não te querem vivo, armadilhas para urso, descargas elétricas, espinhos, despenhadeiros, parasitas cerebrais e muito mais!

Nota 10! *clap clap clap*

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2 comentários em “Limbo: por que tão perfeito?

  1. Todo dia você não me espera u.u zhushauhsua

  2. […] “Limbo: Por que tão perfeito?” seguramente é um texto que eu recomendo, não pelo seu conteúdo, em si, mas mais pela introdução ao jogo, que é fantástico! E por coincidência, há dois dias eu terminei ele novamente. [ver post] […]

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