A Utopia Iluminada – Parte 3

Não sei se fico empolgado ou extremamente aterrorizado.

Tudo que eu sempre acreditei…

Tudo que sempre me ensinaram…

Seria tudo uma forma de… controle?

Eu concordo com cada palavra, cada premissa, cada conclusão do livro. Não me sinto bem com esse conhecimento. Eu me sinto culpado, terrivelmente culpado! Eles nos ensinaram a não questionar nada, pois isso era espírito de Matmel entrando em nossa mente… agora, com o livro, eu não sei nem se eu concordo com o conceito de mente!

O Grande Mestre veio, eles dizem, para nos trazer a liberdade, a paz. Como já disse antes, de fato não temos mais guerras. De fato não cultuamos o dinheiro, o capital, como nas eras de Matmel. Entretanto não podemos nem escolher o que estudar, o que fazer, onde trabalhar, onde viver, com quem conversar. Disseram-me que era para não gerar espírito de Matm… oh, não.

É horrível quando as coisas começam a fazer sentido.

Podem me chamar de louco, psicótico, mas as coisas parecem se encaixar agora. O livro diz que as pessoas tem capacidade de questionar, e muitas variáveis no ambiente nos fazem nos perguntar algumas coisas. Simples incoerências. Foi esse o motivo da queda da democracia. A Utopia, o livro que agora tenho em posse, diz que democracia é uma forma de governo criada para que as pessoas, em conjunto, decidissem o que é melhor para elas.

Só que havia uma pequena incoerência que mais tarde foi revelada pelo Grande Mestre: as pessoas são controladas pelas instituições maiores.

As instituições exerciam controla de forma que fizesse com que as pessoas decidissem por manter tais instituições. Era uma obra prima de manipulação!

Então veio o Grande Mestre e desmascarou a mentira da democracia. As pessoas ficaram encantadas com seu vasto conhecimento sobre mundo, sobre o homem. Subitamente aceitamos a mudança, o aceitamos como nosso líder, nosso redentor, nosso mestre.

Era tudo uma grande mentira, ELE criou a democracia, ELE instituiu Matmel para que depois o destronasse e reinasse absoluto. Ele matou nossa quase inerente propensão ao questionamento associando perguntas ao fracasso da humanidade. A época que mais se buscava conhecimento foi a época que mais houve guerra, que mais houve destruição. Matmel incentivava a iluminação intelectual, obstruindo a visão das pessoas, enganando-as, não deixando enxergar sua manipulação. O Grande Mestre, ao destronar Matmel, fez com que todos nós acreditássemos que o controle que ele exercia sobre as pessoas era porque as pessoas perguntavam demais, e isso dava espaço para que seu espírito fosse corrompido pelo espírito de Matmel.

Foi genial.

Hoje em dia ninguém se pergunta o porquê de aceitarmos tão pacificamente a vida que nos é imposta.

O Grande Mestre nos condicionou a associar liberdade de pensamento com controle disfarçado. A partir dessa premissa, aceitamos o controle absoluto. Negamos a nós mesmos, nos submetemos à Vontade Maior, nos entregamos nas mãos daquele que “nos libertou”, daquele que “de tudo sabe”, que tem a “solução” para tudo.

É tudo mentira, a sociedade é uma mentira, essa vida posta é uma mentira. Eu preciso contar pra todo mundo.

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Um comentário em “A Utopia Iluminada – Parte 3

  1. […] O conto que disse acima, eu fiz a terceira parte nesse mês. [ver post] […]

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