Meu Clube

Nenhum conceito é intrínseco, nenhuma ideia é inerente.

Nós decidimos o que pertence ao quê, o que difere das outras coisas e o porquê. Essa forma de pensar quebra qualquer argumento preconceituoso e nos convida a repensar o que já conhecemos.

Eu abominava ratos de academia, homens e mulheres que trocavam qualquer convivência social por um treino intenso na academia. Pessoas que gastam dinheiro conseguido com suor, para suar mais ainda. Não fazia sentido. Ir à um lugar onde não conheço ninguém, dividir aparelhos sujos, passar calor e ouvir músicas remixadas? “Não nesta vida”, pensava eu.

Hoje eu durmo angustiado e com a incrível sensação de perda se deixo de fazer alguns exercícios no dia. Contudo, não me considero um adorador do corpo, não funciona assim. Eu ainda gosto de me acabar no bacon nos fins de semana, rechear o lanche de maionese temperada e apostar quem come mais pedaços de pizza em um rodízio. Gosto de suco, mas nada substitui o refrigerante bem gelado junto a uma porção de batatas frias com catchup. Gosto do sentimento de culpa por ter comido o mundo, e também, na manhã seguinte, da sensação de “devia ter comido mais”.

Nenhum conceito é intrínseco, nenhuma ideia é inerente.

Gosto de correr e chegar pingando suor na academia. Gosto de sair e demorar o dobro do tempo normal pra voltar pra casa, devido ao cansaço. Contrariando as expectativas normais, eu não tenho crescido. Meus braços não estão tão maiores, minhas pernas não estão mais duras, minas costas não estão divididas de músculos e meu abdômen… Bom, eu ainda mantenho minha picanha aqui.
Contudo, a superação demorada é gratificante. Chegar em casa pensando que consegui aumentar em dez quilos algum exercício, fazer o treino regular e perceber que ainda tem gás para mais uma hora de treino. Isso é sentir a diferença. A questão não é que os outros percebam, mas sim que eu me supere.

É meu clube. Meu clube da luta.

Assim como o clube da luta não é sobre ganhar ou perder, meu treino não é sobre esculpir o corpo.

Assim como depois do clube da luta tudo perde um pouco a importância, eu vou à academia e me esqueço dos trabalhos da faculdade, me esqueço que não tenho dinheiro para as xerox, que minha mãe abandonou seus filhos, que vai ser despejada, que meus amigos tentam se matar e que meu curso não atende meus gostos.

Assim como no clube da luta o narrador morria toda noite, e toda noite nascia de novo, assim eu nasço toda manhã. Com ânimo para mais um dia.

Quem você é no clube da luta não é quem você é no resto do mundo.

Mudei minha ideia sobre academia, meu conceito agora é outro. Único e pessoal.

Esse é meu clube da luta funcional. Meu tuinal, meu seconal. Meu grupo de câncer nos testículos e de parasitas no cérebro.

É o meu project mayhem.

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2 comentários em “Meu Clube

  1. Você não é seus bíceps rs

  2. […] Uma mudança de visão, quebra de preconceito e chance às contingências. Mudei minha opinião sobre academias. [ver post] […]

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