Cantiga de Ninar – Chuck Palahniuk

Estou contando 1, contando 2, contando 3…

Provavelmente vocês não vão encontrar uma resenha curta melhor que a do Bruno Bianchi, mas tive vontade de escrever a minha, então cá estou eu.

Tive a sorte de conhecer o contexto em que o livro foi escrito antes de lê-lo. Sorte porque foi acidental, eu não estava procurando resenhas para saber se lia o livro ou não. Caí no blog O Homem Silencioso e isso aqui me chamou muita atenção:

“Palahniuk, na época em que começou a escrever Cantiga de Ninar, iria decidir se o assassino de seu pai seria condenado à morte. E o livro possui uma ideia muito semelhante ao que passava pela cabeça do escritor na época: quais as consequências do poder?” (achei no blog O Homem Silencioso)

E não é qualquer tipo de poder, é o poder da palavra.

Estou contando 15, contando 16, contando 17…

O livro conta a história de Carl Streator, jornalista sem perspectiva de vida. Após a mulher e a filha terem uma “morte súbita”, o jornalista é colocado para cobrir casos semelhantes com bebês. Em sua pesquisa ele descobre um padrão nas mortes: o livro Poemas e rimas ao redor do mundo aberto na página 27, onde encontra a tal “cantiga de ninar”, um tipo de cantiga de poda. O poema, quando lido, provoca a morte súbita nos ouvintes.

Paralelo a isso, Helen Hoover Boyle é uma corretora de imóveis assombrados, contemporânea de Streator e patroa da Mona Sabbat, uma atrativa adolescente aspirante a bruxa, que por sua vez tem um namorado bastante irritante, golpista e sem-nome, conhecido como Ostra.

A maior parte do livro é ao redor da viagem desses personagens pelos EUA para encontrar todas as cópias do livro, e destruí-las.

A história acaba se desenvolvendo para além dessa cantiga, com uma boa porção de romance e reviravoltas bastante imprevisíveis conforme o livro vai caminhando para o fim.

Estou contando 21, contando 22, contando 23…

Finais impressionantes e imprevisíveis não são a única peculiaridade de Chuck Palahniuk. O autor sempre traz fortes críticas à sociedade e usa de repetições constantes durante o livro. Você, por exemplo, vai encontrar diversas vezes a frase “paus e pedras quebram tudo pela frente, mas palavras não machucam a gente“, contudo, às vezes há algumas modificações. “Paus e pedras quebram tudo pela frente, mas agora palavras também podem matar.”

Falando em palavras que matam, essa é a grande crítica do livro.

Hoje em dia as pessoas ouvem um comercial de batatas fritas e vão correndo comprar um saco, mas chamam isso de livre-arbítrio. (p.28)

O livro mostra uma grande confusão do autor. Eu imagino que ele devia estar recebendo bastante opinião alheia a respeito da decisão do assassino de seu pai.

Se o Big Brother parasse de encher, talvez nossas mentes se tornassem nossas de verdade. (p. 73)

Nessa frase, o autor evidencia minha visão acima, e ainda completa com indignações como “Esses barulhômanos. Esses calmófobos” (p.72). O silêncio é muito prezado por Streator, e eu me identifiquei bastante com isso. Em um mundo onde temos que pensar direito, analisar todas as variáveis para podermos fazer uma escolha sensata, como fazemos isso com tantas pessoas gritando em nossos ouvidos? Como escolher se as propagandas escolhem por nós? Como, então, poderíamos decidir sobre a vida de alguém de maneira autêntica e responsável?

É um livro de sangue, de muita morte.

Mortes desnecessárias, mortes fúteis.

Arrependimentos e satisfação.

Autocontrole e ruptura total.

Outra questão a se destacar no livro são as partes em itálico. Diversas vezes você vai se deparar com Streator junto a um policial, o Sarja, atrás de eventos sobrenaturais, e isso parece não ter ligação nenhuma com o enredo principal do livro. Essa parte foi genial e me fez lembrar muito o estilo do filme Memento (2000).

É um livro difícil de encontrar pra comprar, mas é uma ótima e rápida leitura. Por ser Palahniuk, eu teria lido sem mesmo saber o contexto por trás do livro!

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22 comentários em “Cantiga de Ninar – Chuck Palahniuk

  1. […] E fecho o ano com uma resenha, minha primeira resenha de algum livro. O livro escolhido foi Cantiga de Ninar, do Chuck Palahniuk, meu autor favorito. Espero que seja a primeira de muitas! [ver post] […]

  2. Tâmara Lessa disse:

    Fiquei curiosíssima pelo livro! Achei bastante interessante ese trecho que vc escreveu: “paus e pedras quebram tudo pela frente, mas palavras não machucam a gente“, contudo, às vezes há algumas modificações. “Paus e pedras quebram tudo pela frente, mas agora palavras também podem matar.” Vou tentar achá-lo p/ler. Ótima dica ♥

  3. Marcos.A disse:

    qual a editor que publicou esse livro?

  4. Marcos.A disse:

    perdão erro meu , é qual a editora q publicou esse livro , fiquei muito curioso por esse livro.
    Ouvi falar muito nele.

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