[Resenha] O Guia do Mochileiro das Galáxias

O Guia do Mochileiro das Galáxias é um livro sobre vida, universo e tudo mais. Sendo apenas o primeiro, de uma trilogia de cinco, a obra já vendeu mais de 15 milhões de exemplares só no planeta Terra!

O que tem de tão interessante para tanto sucesso de vendas?

Douglas Adams, o autor, apresenta pelo menos três pontos que quero citar aqui, que são motivos pelos quais existem tantos apaixonados pela série: improbabilidade, criatividade e humor. É claro que a divisão esses três pontos é puramente didática, já que a genialidade se evidencia na junção desses e de outros fatores muito bem explorados pelo autor.

Improbabilidade.

O livro começa com a destruição da terra. Nada provável. Menos provável ainda foi Arthur Dent ter pego carona em uma nave espacial, juntamente com seu amigo extraterrestre disfarçado de humano Ford Prefect, evitando suas respectivas mortes.

A narrativa também é improvável. Com um narrador onisciente, o livro não foca tanto na experiência do Arthur, que teoricamente é o personagem principal, mas descreve bastante as relações de Ford (cujo nome verdadeiro não pode ser pronunciado com o alfabeto português), que acabam por se tornarem muito interessantes.

Peixes tradutores, robôs depressivos, termos em latim e um Wikipédia eletrônico que contém praticamente todas as informações básicas do universo (o verdadeiro Guia do Mochileiro das Galáxias), são elementos que tornam o livro tão improvável, tão criativo.

Criatividade.

Douglas Adams é realmente genial em criatividade. No livro você se depara com diversas raças extraterrestres bastante engenhosas. As descrições de outros planetas, de peculiaridades físicas e intelectuais das novas raças, das invenções tecnológicas, dentre outros elementos, tornam o livro muito divertido de se ler. Demanda a imaginação de um universo certamente nunca imaginado antes!

Acham o Wikipedia uma boa ideia? Pois bem, o site é de 2001, sendo que em 1979 Douglas Adams apresentava a ideia de um aparelho eletrônico que consiste em apenas uma tela com um botão. Clicando no botão, o aparelho liga e lá pode ser encontradas informações básicas sobre o universo inteiro. Talvez o Steve Jobs e o Wikipedia devessem admitir de onde tiveram a ideia do iPad e do site.

Humor.

O autor apresenta um vasto conhecimento que vai de legislação trabalhista americana, transitando em física quântica e chegando em cultura pop, e com essas ferramentas constrói uma narrativa cujos acontecimentos são bastante difíceis de serem previstos. Por vezes até ficamos na expectativa de que algo aconteça, mas o livro massacra nossas hipóteses com algo muito óbvio, mas improvável no momento.

Contraditório? Talvez.

Uma das principais coisas que dão humor para o livro é a inversão de função das coisas. Começando pelo gerador de improbabilidade infinita, que é uma parafernália que inverte a probabilidade de algo ocorrer. O que normalmente teria a menor chance de acontecer, é isso que a máquina vai fazer com que aconteça. É assim que a nave Coração de Ouro tem energia infinita, e é assim que Arthur e Ford sobreviveram à destruição da terra. São elementos bizarros no livros que o deixam divertidíssimo!

“Qual a resposta para a vida, o universo e tudo mais?” provavelmente é a pergunta mais épica do livro. Depois de alguns milhões de anos pensando na resposta, o Pensador Profundo chega à conclusão de que a resposta é 42. Ao mesmo tempo que é frustrante, é genial! Primeiramente porque é uma resposta de uma pergunta mal formulada.; segundo, porque é um número, e não há nada mais exato que a matemática, contrastando a ideia de que seria uma resposta filosófica, com termos diferentes e outras indagações; terceiro, porque não faz sentido algum. Hahahaha

Por fim, a hilária referência a Pavlov! Um dos precursores da ciência comportamental é ironizado no livro, ao revelar que a Terra era, na verdade, um laboratório experimental dos ratos, que por sua vez, eram os verdadeiros cientistas. Na primeira vez que li o livro, não tinha noção da referência, mas achei fantástica desta vez!

O Guia do Mochileiro das Galáxias é um livro bem bacana de se ler. Dinâmico, improvável e nem um pouco cansativo. Nota 8.

Apenas dois conselhos: não entre em pânico e não se esqueça da toalha.

Agradeço ao André Pires que me emprestou o livro e a toda galera do clube do livro, que colaboraram com o texto através da discussão da obra!

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3 comentários em “[Resenha] O Guia do Mochileiro das Galáxias

  1. Hugo Mariani disse:

    Pó cara, considerações maravilhosas, o livro é incrível, Douglas Adams criou um universo encantador. Eu li o primeiro da série essa semana, a cada página lida à história se tornava mais hipnotizante. Já comprei o segundo volume.

  2. piresand disse:

    “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, é um livro que nos conquista desde as primeiras páginas, onde cada personagem mostra seu valor e sua peculiaridade. São pelas histórias mais improváveis, pela deliciosa e apaixonante narrativa de Douglas Adams, que consegue adaptar a física quântica, a filosofia em uma ”quase” simples história, colocando assuntos que para muitos é tanto tedioso, de forma que abrange a todos, onde uma criança de 10/11 anos à um adulto estudado pode se divertir com seu humor ácido, suas menções e críticas a toda humanidade.

    Gabriel gostaria de parabenizá-lo pela resenha, ficou muito boa! 😀 Os pontos citados são importantíssimos, e basta somente eles para nos conquistar. Agradeço pelos créditos dados a nós, e quando quiser os próximos volumes é só me avisar! Haha

    Espero vê-lo nas próximas reuniões. Abraço! =)

  3. André Pires disse:

    “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, é um livro que nos conquista desde as primeiras páginas, onde cada personagem mostra seu valor e sua peculiaridade. São pelas histórias mais improváveis, pela deliciosa e apaixonante narrativa de Douglas Adams, que consegue adaptar a física quântica, a filosofia em uma ”quase” simples história, coloca assuntos que para muitos é tanto tedioso, de forma que abrange a todos, onde uma criança de 10, 11 anos à um adulto estudado pode se divertir com seu humor ácido, suas menções e críticas a toda humanidade.

    Gabriel gostaria de parabenizá-lo pela resenha, suas considerações foram ótimas! 😀 Os pontos citados são importantíssimos, e basta somente eles para nos conquistar. Agradeço pelos créditos dados a nós, e quando quiser os próximos volumes é só me avisar! Haha

    Espero vê-lo nas próximas reuniões. Abraço! =)

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