O monstro debaixo da cama

Eu vi o texto abaixo no grupo de Análise do Comportamento, no facebook. Queria muito compartilhá-lo, mas era grande demais para o twitter e polêmico demais para o facebook, mas acabou sendo perfeito para o blog.

João estava vendo um psicanalista durante quatro anos para curar o medo que ele tinha de um monstro que ele tinha embaixo da cama. Levou anos sem ele ter uma boa noite de sono. Seu progresso era lento, e ele sabia disso. Então, um dia ele parou de ir ao psicanalista e decidiu tentar algo diferente. Algumas semanas depois, o psicanalista do João encontrou-o num supermercado e ficou surpreso de vê-lo bem descansado, enérgico e satisfeito. “Doutor!”, disse João, “É incrível! Eu estou curado!” O psicanalista disse: “Que bom! Você parece muito melhor. Como conseguiu?” João: “Eu fui a outro doutor e ele me curou em UMA sessão!” “Uma?”, o psicanalista incrédulo. João: “Sim, ele era behaviorista”. “Um behaviorista? Como ele te curou em uma sessão?”, perguntou o psicanalista. “Ah, foi fácil, ele me disse pra cortar as pernas da minha cama”.

É claro que trata-se apenas de uma piada, mas eu vou deixar Skinner (1953, p. 30, 31) comentar um pouco sobre os métodos de tratamento usados:

Toda ciência, vez por outra, busca as causas do processo que se realiza no interior das coisas que são seu objeto de estudo. Algumas vezes a tática foi útil outras não. Não há nada errado em uma explicação interior, como tal, mas os eventos que se localizam no interior de um sistema tendem a ser difíceis de observar. Por esta razão, é fácil conferir-lhes propriedades sem justificação. Pior ainda, é possível inventar-se causa desta espécie sem medo de contradição. O movimento de uma pedra que rola foi certa vez atribuído a uma vis viva. As propriedades químicas dos corpos foram concebidas como derivações dos “princípios” ou “essências” dos quais se compunham. A combustão foi explicada pelo phogiston no interior do objeto combustível. As lesões cicatrizavam e os corpos cresciam bem por causa da vis medicatrix. Tem sido especialmente tentador atribuir o comportamento de um organismo vivo ao comportamento de um agente interior.

Depois o autor continua (p. 33):

O hábito de buscar dentro do organismo uma explicação do comportamento tende a obscurecer as variáveis que estão ao alcance de uma análise científica. Estas variáveis estão fora do organismo, em seu ambiente imediato e em sua história ambiental. Possuem um status físico para o qual as técnicas usuais da ciência são adequadas e permitem uma explicação do comportamento nos moldes da de outros objetos explicados pelas respectivas ciências.

Enfim, já deu pra ter uma ideia de como talvez seja preferível você mudar o que está te afetando à falar sobre o problema, na esperança que um insight aconteça e, sobrenaturalmente, você encontre a solução para isso.

Bibliografia:
Skinner, B.F. (1953). Science and human behavior. New York: MacMillan. “Ciência e comportamento humano”, tradução de J.C. Todorov e R. Azzi. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1967.
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