O cristão e o casamento gay

casamento gay

Acredito que este seja um texto incomum. De argumentos como “ninguém nasce gay”, “eu tenho liberdade de expressar minha fé”, “Deus ama o pecador, mas não ama o pecado”, “Deus criou o homem e a mulher”, etc. acredito que estamos todos fartos. São comumente sofismas usados pelo público cristão e, portanto, aceito apenas por tal público. Por outro lado, argumentos que ressaltam que homossexualidade não é doença, que gays merecem os mesmos direitos que héteros e outros igualmente coerentes parecem não surtir efeito algum no meio cristão.

Minha proposta aqui é apresentar o texto de uma maneira aceitável no meio cristão. Evitarei ao máximo argumentos seculares pois exerceriam a função de falácia para o público-alvo do texto.

O ponto principal a ser discutido aqui não é sobre se a união entre indivíduos do mesmo sexo é certa ou errada. De acordo com a bíblia, entende-se práticas homossexuais como pecaminosas e se o cristianismo entende a bíblia como atemporal, então não há discussão de que se trata comportamento homossexual como pecado. Mas isso é suficiente para militar contra direitos políticos e sociais?

Ora, nunca vi nenhum deputado sugerir algum projeto de lei que vete divórcio, que é igualmente pecado. Não conheço, também, projetos da bancada cristã que visem acabar com a pirataria, que é um crime. Downloads ilegais? Não se fala nisso.

Sem título

O Papa sabe que o evangelho é individual…

Na discussão pelo facebook que me motivou a escrever este texto, eu me ative a uma citação da bíblia, encontrada no livro de Romanos, capítulo 12, versículo 2:

“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”

Vamos lá, então! O Silas Malafaia, militante cristão tão venerado, adora falar que “texto sem contexto é pretexto para heresia”, então vamos rever o contexto de Romanos 12:2. Romanos é um livro destinado aos cristãos de Roma que apresenta sugestões para santidade. Repare que santidade, assim como a salvação, é individual! A bíblia, o evangelho todo é individual e não social, isso significa que as exortações são para quem as ouve, de maneira subjetiva e intransferível. Você pode entender o texto da maneira que quiser, mas tem que entender que é uma palavra rhema, isto é, uma palavra que foi dita, ministrada diretamente de Deus para alguém. O entendimento e a aplicação de uma passagem da bíblia para o leitor são chamados de rhema.
Tentar fazer com que a outra pessoa entenda a mesma cosia que você é tentar transformar uma rhema em logos, que seria o entendimento mais literal possível do que se está escrito. Dentro da prática da igreja primitiva, pode-se dizer que rhema não fundamenta dogma. Questões ditas de Deus para alguém não podem ser generalizadas. Se Deus disse para Moisés abrir o mar, certamente alguém que tentar abrir o rio de sua cidade com um pedaço de pau falhará. Uma palavra que serviu na vida de alguém não pode ser usada para aplicar em sociedade, tampouco para embasar práticas e pensamentos que gerem intolerância.

Rhema de lado, vamos analisar a logos? 

(1) “Não vos conformeis com este mundo” o pronome “vos” é oblíquo que remete ao pronome pessoal “vós”, que pode ser trocado por vocês. E como já dito acima, Romanos é escrito para cristãos, então não é coerente tentar fazer com que não-cristãos fiquem igualmente “inconformados com este mundo”. Para tanto, seria preciso que eles fossem cristãos primeiramente e isso fortalece o que eu já disse em outro comentário: vocês estão partindo para o ataque pessoal e deixando a pregação de lado.

(2) “[…] mas transformai-vos pela renovação da vossa mente”, novamente, a palavra é dirigida ao cristão. Quem tem que se transformar é o cristão e não tentar transformar o outro (seja homossexual ou qualquer outro).

Caso queiram que Romanos 12:2 seja aplicado para homossexuais, precisaria antes que o homossexual se entendesse como cristão, visto que o livro de Romanos é escrito para cristãos. Não existe argumento que estabeleça hierarquia entre religiões, isso significa que não há porque fazer um Estado cristão, em detrimento de todas as outras práticas culturais e crenças da população. Nem o próprio Jesus almejou cargos políticos, ao invés disso manteve ensinamentos individuais e eventos organizados; e o mais importante: viveu o que pregou.

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