Sobrevivente – Chuck Palahniuk

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Quanto mais livros do Chuck Palahniuk eu leio, mais eu percebo que são muitas coisas iguais ditas de maneiras diferentes. Lendo Sobrevivente, segundo livro do autor, eu tive inúmeras sensações de já ter lido o livro, de saber o que iria acontecer e por que motivo iria acontecer. Inicialmente culpei o livro por essa previsibilidade, pois eu queria o novo, o inesperado. Apesar de o tipo de escrita do Palahniuk me agradar muito, eu queria ler alguma coisa nova. Então percebi que o livro não é tão previsível por si só.

Pensamentos escritas, organizadas em capítulos, publicadas por uma editora e vendidas em uma livraria muitas vezes são o que chamamos de livro. Do que a gente parece ignorar é que esses pensamentos são comportamentos de uma pessoa: o autor. Você pode esperar uma criatividade inesgotável de um autor, pode esperar uma trama totalmente nova e reveladora, mas às vezes o que se tem é mais do mesmo. Os livros do Palahniuk costumam trazer pessoas típicas em situações grandiosas. Costumam discutir as regras sociais e o determinismo social. Mostram a fragilidade humana como resultado de um desperdício de tanto potencial. Tratam de vidas inquietas que só gostariam de um pouco de calma e silêncio. Percebi, então, que eu conhecia tão bem o livro que nunca tinha lido porque já li alguns outros do mesmo autor. A produção de uma pessoa não é nada isenta do modo de vida do produtor. Mais do que um livro de ficção, um livro é um recorte da vida do autor. E o autor eu já conheço.

Não quero que isso seja visto como um ponto negativo. Sobrevivente traz a história de um cara de meia idade que não consegue agir por si mesmo. Foi treinado a obedecer e o faz muito bem. Sua vida pacata de empregado muda quando ele conhece Fertility Hollis, uma moça que parece conhecer acontecimentos futuros.

De repente eu percebo que esse livro aparentemente tão previsível traz uma trama sobre previsibilidade (por essa eu não esperava!). A premissa é a seguinte: por algum motivo (revelado ao longo do livro), Tender Branson sequestra um avião e, antes que todos os motores estraguem e o avião caia, ele resolve contar sua vida para a caixa-preta. Os capítulos e páginas seguem uma ordem decrescente e a única certeza que o livro te dá no começo é a morte do personagem principal no final do livro. Alguma semelhança com a vida?

Além de uma historinha legal, com acontecimentos legais e falas também legais, Sobrevivente levanta uma discussão sobre a normalidade, produção de pessoas, sobre livre-arbítrio e escolhas pessoais, sobre coisas inevitáveis na vida, sobre busca por coisas inesperadas.

Livro recomendadíssimo! Para dar um gostinho, aqui vai um trecho, uma sátira do conceito de normalidade:

 “[…] além do mais, eu não posso segurar a sua mão para sempre. Se você for se matar, não vou ter como impedi-lo, e não é minha culpa. Segundo os meus registros, você está perfeitamente feliz e ajustado. Temos os testes. São provas concretas.”

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