Corta!

Eu já cozinhei metanfetamina.

É cada vez mais difícil distinguir ficção de realidade. Se você assume uma postura de que o que se chama de realidade só é mensurável partindo de uma percepção humana, e que só pode ser descrita através de uma linguagem, ou seja, um construto humano, realidade não existe para além de nós, humanos.

Eu sou traficante de armas.

O problema na distinção entre ficção e realidade é que tal dualismo não existe, de fato. A ficção é parte da realidade, de modo que temos contato com ela.

Perdoem-me a falta de rigor no uso das palavras. Tenho tratado “realidade” como algo universal, como se fosse um conceito compartilhado por todos vocês, dois ou três leitores. Sei que não é bem assim, mas não me pretendo traçar uma vida epistemológica e conceitual aqui no texto. Eu só estou intrigado com o bem que a ficção me faz.

Posso ter insônia e ir trabalhar bem no dia seguinte.

Acho bonito que muita gente levante a bandeira do “não-tem0s-wi-fi-conversem-entre-si”, mas eu sou um grande entusiasta da experiência virtual. E não entendam virtual como antônimo de realidade.

Posso voar.

Quantos de nós já não morreu de vontade de exibir uma  M16A1 acompanhada de um “say hello to my little friend!”. Ou quantos de nós não se sentiu bem ao transgredir os mais rudes dogmas da sociedade, ao se deleitar com Clube da Luta?

Algum de vocês já deve ter sido morto diversas vezes pelo George Martin.

Eu já tomei no cu com o Kurt Sutter.

Conheci muitos bruxos que estudaram em Hogwarts. Conheço inúmeras pessoas que tocam air guitars de modo impecável. Eu já estive em coma com o Chuck Palahniuk. Já fui ao inferno. Já morri de overdose de maconha.

Semana passada matei 71 soldados. Fui morto apenas 5 vezes.

Algumas pessoas já foram à Narnia.

E se você estiver traçando o argumento de que o mundo virtual nos torna menos humanos, eu te digo que nossa experiência ficcional só é possível porque nós aprendemos a mais humana de todas as habilidades: a empatia. É pela empatia que temos com coisas e pessoas que podemos experienciar mundos diversos.

Estou compartilhando isto tudo com vocês porque acabei de me envolver em um tiroteio, em True Detective. Vou para o próximo episódio agora. Não do seriado, da minha vida ficcional.

E quem dirá que não é real?

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