Acabou

Quando eu tinha 16 anos ninguém me escutava.
Quando eu fiz 17, ainda duvidavam.
Aos 18 me ignoravam.
Com 19, 20 era loucura.
Agora, ainda novo, com 21 anos, as coisas que eu dizia começam a acontecer.
Talvez meu erro tenha sido não prever detalhes, não descrever direito.
Talvez meu erro tenha sido prever demais, ver demais.
Talvez meu erro tenha sido deixar tudo acontecer. Conversar, brigar, mas não dar meu sangue por isso.
Quem sabe eu poderia ter feito diferente. Poderia tomar outros rumos, ter juntado meus trapos e ter cuidado dos meus.
Quem sabe estas sejam minhas últimas palavras sãs.
Quem sabe eu já enlouqueci.
Tão certo como a aceleração gravitacional não muda nada de rumo, uma vez neste caminho, não há mais volta.
Eu deveria ter insistido mais, ter acreditado mais em mim mesmo. Deveria ter feito birra, roleta russa. Deveria ter levado ao extremo.
Agora eu estou perdendo tudo e todos.
Breve nada mais me restará.
E então a única coisa que me restará será a liberdade. Porque perder toda a esperança é liberdade.
Mas eu não queria ser livre.

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