Duas mãos.
Ele não conseguia se lembrar de como tinha parado naquela situação. Mas faria alguma diferença? Ele sabia que não era aquilo que ele tinha planejado.
Uma parte se despedaçou.
Uma mão.
Ele começou a pensar em coisas positivas. Tinha que ser forte, tinha que dar um jeito de sair de lá. Ainda que ele andasse pelo vale da sombra da morte, não poderia temer mal algum.
Quatro dedos.
Nesse ponto alguns pensamentos de arrependimento turvaram os planos de como sair daquela situação. E seus pais? Sua esposa? O que seria de seus filhos?
Ele não era casado e nem tinha filhos. Ora, qual a razão desses pensamentos, então? Seriam formas de se manter forte? Seria um jeito de se manter motivado a viver?
Sua mão começa a formigar.
Deus! Céu! Inferno? Qualquer coisa para tirar ele daquele lugar. Qualquer pensamento. Qualquer empurrão para a vida.
Mil coisas passaram pela sua cabeça nesses 20 segundos incertos.
E no cume do desespero, uma epifania.
Ele se libertou. Perdeu a esperança. Nada mais o manteria ali, nem mesmo a ilusão de que conseguiria escapar vivo.
Do alto daquele penhasco soltou os dedos restantes.
Voou.

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