Bar da Felicidade

Esses dias eu fui à um bar diferente dos que eu estava costumado a frequentar. Era um bar que servia felicidade. Ficava perto da Rua das Tentações, era no centro da cidade. Chegando na porta duas pessoas vieram me receber, me abraçaram como se fôssemos amigos de longa data. Eles me convidaram para entrar como alguém que convida para sua própria residência. Disseram que qualquer coisa que eu pedisse seria livre de qualquer custo.

Era um bar leve. Leve como essas coisas menos densas que o ar.

Eu estava em um bar, eu tinha que beber. Eu sabia que lá servia felicidade, mas por um momento fiquei inibido de pedir por um copo. Fiquei com medo de não gostar. Pedi o que já conhecia, uma dose de frustração. As pessoas ao meu redor não reprimiram minha escolha, mas insistiram que eu experimentasse a tal da felicidade. Pois bem, aceitei.

Bebi e fiquei leve. Leve como o bar.

Eu só devia ter maneirado. Eu não sabia que o bar da Felicidade não fechava e saí antes das 3h, como faria em qualquer outro bar. Estava bêbado e feliz.

Cruzei a rua da Saudade, entrei no bairro do Pranto. No meio da Rua da Confusão eu parei e quis voltar. Fui atropelado por um ônibus que rumava a região da Tristeza. Era longe do bar da Felicidade. Fui levado ao Pronto Socorro dos Desolados.

No acidente eu quebrei meu coração. Entrei no coma da solidão.

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